Pastores avaliam proibição de cultos no Acre: “é uma discriminação às igrejas”

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A situação de emergência para a Covid-19, em Rio Branco e nos outros 21 municípios do Acre foi superada. Com todo o estado em alerta, classificada na cor laranja pelo Pacto Acre Sem Covid, parte do comércio foi autorizado a retomar as atividades, incluindo shopping, galerias comerciais e lojas de vestuário.

Nesse meio tempo, o Comitê de Enfrentamento da Covid-19 continua seguindo o mesmo plano: igrejas só poderão funcionar com cultos presenciais a partir da cor amarela, ou seja, quando o estado sair da situação de alerta, o que poderá ocorrer na primeira semana de agosto.

Diante da situação, líderes religiosos estão revoltados com as medidas do Comitê. Essa semana, o governador Gladson Cameli até tentou liberar os templos para cultos, mas o desejo “caiu por terra” após ser apresentado ao comitê de enfrentamento. Não haveria justificativa técnica para isso.

O pastor Lamark Souza, da Igreja Batista Getsêmani, de Rio Branco, acredita que a postura do governo estadual, e da Prefeitura de Rio Branco, em manter os templos sem cultos são “incompatíveis” com a realidade do momento. O líder, contudo, não acredita na ideia de perseguição às igrejas ou aos cristãos.

“As medidas restritivas são incompatíveis. As pessoas podem se aglomerar dentro dos ônibus, mas não podem estar nas igrejas, onde há maior controle dos líderes sobre isso. Aqui já conversei com os irmãos, e disse que quando voltarmos não voltaremos como era antes. Haverá todo um critério a ser obedecido”, avaliou.

Numa linha mais branda, o bispo José Romero, do Ministério Internacional Ruach Kadosh, pediu que as autoridades ajudassem as igrejas, flexibilizando as medidas de controle. A igreja, segundo ele, é um instrumento de auxilio social que precisa ter o funcionamento normalizado, ainda que com regras de controle de acesso.

“Estou aqui para pedir que as autoridades nos ajudem, já que foram liberados outros setores do comércio, dos serviços. Nós, a igreja, somos uma instituição social, e as pessoas precisam estar com a gente nas igrejas, congregando. Peço aos governantes que repensem e vejam novamente essa flexibilização, incluindo as igrejas”, destaca o líder evangélico.

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As restrições do governo acreano também incomodam o líder da maior congregação da Capital, a Igreja Batista do Bosque. O pastor-presidente da denominação, Agostinho Gonçalves, classificou que manter as igrejas sem culto é a prova máxima da “descriminação” como o povo de Deus.

“Eu penso que as igrejas deveriam voltar nessa faixa agora a laranja, juntamente com os demais seguimentos. Mas não voltou por que? Não voltou por descriminação. É uma punição para a gente sabe. E o povo está chateado. Tenho conversado com amigos, lideranças, e estamos tristes, revoltados com isso. Voltou quase tudo, e a igreja parada”, diz.

Ainda segundo Gonçalves, não há justificativa para a volta dos motéis, e o não funcionamento com culto nas igrejas. “É uma coisa de outro mundo. É a igreja quem pastoreia, que alimenta espiritualmente as pessoas, que supre as necessidades das pessoas que precisam. Contudo, as igrejas estão fechadas”, conclui o pastor.

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