Sexo anal faz mal? Saiba quando e como a prática pode prejudicar sua saúde

Enquanto o sexo anal faz parte da vida sexual de muitas pessoas, outras já fazem “cara feia” só de pensar em testar a prática. A reação negativa acontece, às vezes, porque o assunto ainda é tabu entre a população. Por um lado, há quem acredite que praticar sexo anal faz mal. Mas, anal, quais são os riscos à saúde que essa experiência pode gerar?

De acordo a sexóloga Carla Cecarello, consultora do C-date, o sexo anal faz mal a partir do momento em que não se usa camisinha. “A mucosa anal absorve muito fácil qualquer tipo de bactéria e vírus. O preservativo também serve para evitar que o resto de fezes se acumule na uretra do pênis”, destaca.

Além disso, é importante ter alguns cuidados. Segundo a sexóloga e fisioterapeuta Débora Pádua, o sexo anal pode ocasionar algumas fissuras. “O ânus não tem tanta elasticidade quanto o canal vaginal. Então, é mais fácil da pessoa se machucar e, principalmente, porque não tem as glândulas de Bartholine, que provocam a lubrificação”, destaca.

Com isso, para evitar qualquer tipo de machucado, o casal deve utilizar lubricante feito com base em água. “A vaselina acaba sendo usada, mas por conter petróleo na composição, pequenos furos podem ocorrer no preservativo , o que pode ser perigoso”, alerta Débora, que ensina como produto deve ser usado.

Para começar, o ideal é passar no pênis e na entrada do canal anal para que realmente deslize. Caso perceba que esteja cando mais seca e que o ato se torne mais difícil e com atrito, a recomendação é retirar o pênis do ânus para passar um pouco mais de lubricante e, assim, continuar com o intercurso de vai e vem

Outros itens além da vaselina também devem ser evitados. “Não se deve usar saliva como lubricante , porque tem bactérias, e nem xilocaína, porque anestesia tudo. Com isso, corre o risco de penetrar com muita força e ser prejudicial. Hoje, tem até lubricantes específicos para o sexo anal”, pontua Carla.

O risco de transmissão do HIV ou qualquer outra doença é grande se não usar preservativo. “É justamente por essa falta de elasticidade que tem no canal anal. É muito mais fácil ter rompimentos, fissuras e cortes. Então, ao entrar em contato com a secreção do parceiro, pode contrair o vírus”, explica.

Como melhorar o sexo anal?

O sexo anal deve ser feito de forma cuidadosa e um pouco mais devagar, pelo menos no início. “É importante escolher uma posição que a mulher se sinta confortável. Ele é muito falado na posição de quatro, mas nem sempre é a melhor para começar. Fazer a posição de lado, às vezes, é mais aconselhável”, destaca Débora.

Outro ponto que faz diferença durante a prática é o estímulo clitoriano. “A mulher, muitas vezes, pode sentir uma sensação de peristaltismo, ou seja, de que vai evacuar no sexo anal. E o ideal é mudar isso. Ela pode usar um vibrador ou fazer estímulos com a própria mão para que o foco inicial seja o estímulo que ela já conheça até o anal se tornar prazeroso”, continua.

Quando não fazer sexo anal?

Apesar de a prática ser livre, há algumas contraindicações que devem ser observadas. “O sexo anal não é muito aconselhável para quem está com hemorroidas , com uma inflamação local e esteja com o intestino um pouco mais ressecado, que já tenha causado alguma fissura e sinta dor. O ideal seria evitar nesses momentos”, pontua a fisioterapeuta.

Carla ainda alerta que a prática não deve ser realizada todos os dias. A recomendação é uma vez por semana. “Isso é para evitar microfissuras nas pregas (nos esfíncteres), que são estruturas que controlam o grau de amplitude de um determinado orifício. Nesse caso, no ânus”, detalha a sexóloga.

Diante de tudo isso, o sexo anal faz mal apenas se os praticantes não tomarem os cuidados adequados. “Sem o uso de preservativos e lubricantes à base de água, pode ocorrer a microfissura e, assim, a possibilidade de contaminação pelas bactérias do intestino. Por isso, é fundamental a higiene como evacuar antes (ela) e urinar após a penetração (ele)”, finaliza Carla.

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