Com esposa internada há quatro anos, Bocalom acredita em milagres

Quem ver o ex-prefeito de Acrelândia Sebastião Bocalom Rodrigues, conhecido como Tião Bocalom, nas ruas ou nos embates políticos, sorrindo e pedindo votos com mensagens otimistas em relação ao futuro do Acre nem de longe imagina que a vida privada do atual diretor-presidente da Emater esconde um drama e um fardo que poucos suportariam carregá-los. Primeiro suplente de deputado federal em 2018, quando obteve mais de 26 mil votos mas lhe faltou legenda para poder assumir o cargo, a despeito de seus 67 anos de idade, é um homem determinado e em 2010 surpreendeu o universo da política ao perder às eleições ao Governo do Estado para o então senador e médico Tião Viana por pouco mais de dois mil votos, no primeiro turno.

Naquele momento, a chamada Frente Popular do Acre, liderada pelo PT, já completava 12 anos de governos seguidos e estava no auge do poder. No entanto, Bocalom, sem estrutura, dinheiro e apoio, escorado apenas na frase segundo a qual é necessário “produzir para empregar”, por muito pouco não se tornou governador do Estado. Até hoje ele diz que os poucos votos que o separaram da vitória foram comprados com o dinheiro sujo utilizado pelo PT em suas campanhas eleitorais.

Paranaense de Nova Olímpia, município do noroeste do Paraná, por onde exerceu dois mandatos de vereador, Bocalom é o atual diretor presidente da Emater-Acre, empresa de extensão rural e agrícola do Estado, e hoje se divide entre Rio Branco e a cidade de Araguari, o 23ª maior município de Minas Gerais, com uma população estimada em sua população de 116 mil habitantes, localizada no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. E tem bons motivos para isso: é ali que vive sua esposa, dona Elizabeth Aparecida Bocalom, professora aposentada.

Aos 64 anos, a ex-primeira-dama de Acrelândia não vive – na verdade, ela sobrevive em coma – mas acorda ao sinal de qualquer barulho – numa UTI (Unidade e Tratamento Intensivo) residencial, cercada de quatro enfermeiras e um fisioterapeuta que cuidam dela 24 horas por dia. Tudo por conta do marido, já que a família jamais teve plano de saúde. “Tenho ajuda do meu pai e de um irmão, que é empresário. Do contrário, não sei o que seria da gente porque o que ganho como professor aposentado e mesmo com o salário do cargo no governo não é suficiente para tamanha despesa”, revela o político.

Dona Beth Bocalom, que fez a última aparição pública ao lado do marido durante o primeiro turno das eleições estaduais em 2014, é portadora da síndrome ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), doença degenerativa diagnosticada em maio de 2015. Amigos mais próximos e membros da família dizem que ela já trazia os sintomas desde 2013.

De acordo com o próprio Bocalom, em 23 de novembro de 2015, dona Beth teve uma parada cardíaca de nove minutos, dentro do Hospital, em Uberlândia, a 40 quilômetros de Araguari. A parada comprometeu quase 100% do cérebro. Ela perdeu a consciência e todos os movimentos. Passou 30 dias de UTI hospitalar e agora está há mais de quatro anos na UTI Domiciliar. “Ela dorme e acorda, abre os olhos. Qualquer barulho, ela acorda”, revela Bocalom

O diagnóstico é que ela escuta o som, mas não entende o que acontece a sua volta. A doença também afetou a musculatura do pulmão e por isso ela respira artificialmente com ajuda de aparelho e oxigênio fornecidos pela Prefeitura de Araguari. Também se alimenta por sonda gástrica e, segundo o marido, “há três anos, aproximadamente, ela está estável”.

Vivendo de salários, Bocalom tem vendido o pouco que tem para custear parte das despesas. A única filha do casal, já casada, mãe de três filhas, foi morar em Araguari para ajudar a cuidar da mãe. Suas filhas também ajudam a cuidar da avó.

Em 1994, quando era prefeito de Acrelândia, no primeiro ano de mandato, Tião Bocalom perdeu o filho Sebastião Bocalom Junior, com 12 anos, com Leucemia, após 16 meses de tratamento em Curitiba (PR). O ex-prefeito também perdeu uma irmã com a mesma doença vivenciada agora por sua esposa.

O político diz que, toda vez que tem que deixar doa Beth em Minas Gerais para vir para o Acre ajudar o governador Gladson Cameli no exercício do governo, sai “baqueado por ter que deixa-la assim”. Mas ele próprio pergunta: “fazer o que? Não posso abandonar um projeto que lutei tanto para fazer a mudança. Além do mais, meu salário ajuda na manutenção de minha rainha”, revelou.

Mesmo com tamanho drama a sua volta, Bocalom não perde o otimismo e o discurso político. “Precisamos, agora, mostrar que estávamos certos nas críticas e nas propostas baseadas no projeto produzir para empregar”. Segundo ele, “o governo do Gladson Cameli tem que dar que dar certo, pois para mim, não terei forças para lutar mais 18 anos contra o PT, como fiz”.

Sobre dona Beth, Bocalom diz que acredita em sua recuperação. “Tenho muita Fé em Deus e acredito piamente que Ele fará o milagre e a saúde de minha Rainha será restabelecida. O tempo é dEle. Continuaremos fazendo nossa parte de cuidar para que ela continue estável. Sonho em tê-la restabelecida de volta em nosso Acre. Para aquele que crê, tudo é possível”, disse. Quando indagado de onde tira tanta força para resistir, Bocalom afirma: “A Força vem de Deus. É Nele que me apoio para continuar lutando!”.

Fonte: ContilNet

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